Essas e outras pérolas do universo masculino, a escritora Adriana Razia catou de uma conversa com um amigo culto e bem sucedido. Ela fala também do verdadeiro parceirão, aquele que faz um chá e te traz um analgésico numa noite de terríveis cólicas menstruais. Veja aí.

Com esse amigo, obtive outras dicas interessantes: estar na moda (criada para ser usada por modelos, o que não é o caso da maioria das mulheres) não é sinônimo de estar elegante - roupas da moda podem sucatear até uma deusa. Melhor usar roupas que valorizem pontos fortes e disfarcem eventuais pontos fracos do corpo. Para tudo existe hora certa e lugar certo: "vestida para matar" fica bem para ir a festas, não para encarar a rotina, às oito da manhã. Saltos altos, idem: voltar para casa às seis da tarde, caminhando feito um caranguejo se retorcendo com dores nos pés, causa mais pena do que admiração. Perfume? O básico do banho é suficiente para não massacrar a sutileza dos feromônios, o aroma mais atraente que há. Pétalas de rosa, champagne, velas, espartilho vermelho, cinta-liga e meia tipo arrastão, reserve só para momentos muito especiais. No dia-a-dia, esses artifícios podem se tornar enjoativos e até assustadores: é péssimo sentir-se caçado, ser o prêmio de um jogo de artimanhas e seduções.
Se você não é mais uma adolescente, descarte sua coleção de ursinhos cor-de-rosa, fitinhas e cartõezinhos com mensagens melosas: para um homem essas coisas não são nada "românticas", soam fúteis, imaturas e sinalizam carência emocional.
Aquele carinhoso tapinha que seu parceiro possa desferir no seu bumbum enquanto você se concentra na preparação do almoço não revela ser ele um machista nojento ou um chato inconveniente. Pode simbolizar, sim, aprovação, gratidão e companheirismo (a palavra "companheiro" vem de com+panis: alguém com quem partilhamos a sagrada dádiva do alimento).

Ser cúmplice não é acobertar as possíveis infrações do parceiro. É nunca conspirar com quem o esteja criticando (mesmo que esse alguém seja a sua sogra e esteja coberta de razão): se ele não é bom em tudo, é bom em algumas coisas, e isso é o que vale ser ressaltado. Ah! E nada de comentar intimidades: se ele "falhou" na cama ontem, jamais, JAMAIS, comente com ninguém! Nada como um dia após o outro: passada a pequena crise, em sendo devidamente compreendido e amado, a revanche provavelmente será compensadora e deliciosa!
Nunca trate seu parceiro como filho - provavelmente ele vai testar limites e se rebelar fazendo "replays" dos seus dramas e birras de infância. Uma boa relação a dois pressupõe reciprocidade, maturidade e equilíbrio mútuos.
Proximidade emocional e intimidade são cimentos poderosos no relacionamento: não que isso signifique contar tim-tim por tim-tim toda a sua vida sexual pregressa. Economizar críticas, saber ouvir, dividir, ser amiga, são afrodisíacos imbatíveis. Fidelidade não é regra básica para a ocorrência do amor: é conseqüência.
O tema casamento é encarado com maior zelo pelos homens do que pelas mulheres (esses seres belos, selvagens e enigmáticos são mais dependentes de ternura, parceria, compromisso e afeição do que possamos, nós, mulheres, imaginar). Diferentes da gente (atormentadas que somos pelos nossos "relógios biológicos"), os homens hesitam mais na escolha da parceira definitiva. E quando o fazem livremente, são sérios e preocupados em manter a chama desse amor sincero, perene e tranqüilo que tanto buscaram.
Nas palavras do meu amigo: "é maravilhoso namorar uma Angelina Jolie, mas cansativo demais tentar ser um Brad Pitt em tempo integral. Acho que, bem no fundo, sou um ogro romântico como o Shrek. E a minha princesa só poderia ser alguém com a personalidade fantástica da Fiona!"

Herborista e escritora
adriana.razia@gmail.com
QUATRO BARRAS - PR
Matéria muito boa, inteligente e divertida!
ResponderExcluirGostei de++++
Celina A. de Souza
Matéria muito bem fluida, abradável e verdadeira, leve e com uma clarez e sincera simpliscidade Gostei muito Adriana...
ResponderExcluirObrigada!
Adorei, Dri! Sempre que me vejo "discutindo a relação" com a vida, penso em coisas desse tipo e descubro-me uma princesa (ou rainha, talvez) muito mais para Fiona do que para Aurora /Bela Adormecida.E meu marido, graças à Deusa, está muito mais para o doce e autêntico Shrek do que para os fúteis sapos disfarçados de Príncipes que beijei em vão antes de o encontrar.
ResponderExcluirObrigada pelo lindo texto.
Adri, vc tocou no fundo mesmo !!
ResponderExcluirNada mais do que a mais pura verdade.
Parabéns...
João Marcos
Muito bom o texto. Você escreve muito bem tia Adri.
ResponderExcluirOi Adriana
ResponderExcluirAdorei o texto é lugar comum né?
sensibilidade é que é algo emocionante, me lembro de ti assim mesmo sei lá a quanto tempo atrás, com esse talento todo!
parabéns amiga, bjus e saudades!!!
Adriana parabéns,
ResponderExcluirMuito inteligente e esclarecedor; além de realista.Os homens são desse jeito mesmo.
Muito Sucesso.
Neto